A Polícia Federal desencadeou na manhã desta sexta-feira a
Operação Inapto em João Pessoa, com o objetivo de reprimir o crime organizado que agia contra o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). A ação conta com cerca 50 agentes que cumprem diversos mandados judiciais, sendo 05 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, expedidos pela 8ª Vara Federal de Sousa/PB, com parecer favorável da Procuradoria da República no mesmo município.
Entre os presos há secretário municipal, fazendeiros (fornecedores de gado), advogado, gerente e ex-gerente de instituições financeiras. As buscas são realizadas em João Pessoa/PB, Pombal/PB e Sousa/PB.
Segundo a Polícia Federal, durante todo o dia os presos serão interrogados pelos Delegados da Polícia Federal, e a documentação apreendida será objeto de análise, feita por policiais
A investigação do grupo de fraudadores se iniciou em 2007. Dois Inquéritos foram instaurados para apurar os delitos, sendo um para aferir as fraudes havidas no Banco do Brasil de Pombal/PB e outro para o Banco do Nordeste, no mesmo município.
Durante a investigação, a Polícia Federal teve o importante apoio técnico das referidas instituições financeiras, as quais detinham importante acervo probatório contra os investigados. O prejuízo, até agora estimado, alcança a cifra de R$ 5.500.000,00 podendo chegar, com o decorrer das investigações, a dezenas de milhões de reais desviados.
Os trabalhos de investigação continuarão em busca de outras fraudes. Os financiamentos sob suspeita serão investigados e quem estiver em conduta ilegal será responsabilizado. Entretanto, os titulares de financiamentos fraudulentos que se apresentarem à Polícia Federal, voluntariamente, antes de serem convocados, terão a oportunidade de oferecer seus esclarecimentos. As denúncias e apresentações de beneficiários envolvidos em fraude poderão ser feitas à Delegacia da PF em Patos/PB.
De acordo com a PF, as análises dos processos de financiamento e as investigações policiais comprovaram a elaboração de DAP´s- Declarações de Aptidão ao Pronaf- falsas, assim como pessoas sem perfil para obter o financiamento. Pessoas usadas pela quadrilha, “laranjas”, foram identificadas, assim como diligências de campo e auditorias do Banco do Brasil e Banco do Nordeste, foram pródigas em comprovar o esquema criminoso.
O ponto crucial da investigação se deu pelo fato de que um dos encabeçadores do esquema estaria ameaçando funcionários do Banco do Nordeste, além de estarem aliciando os laranjas que se dirigiam ao Banco para denunciar o esquema, haja vista a condição de devedores em que se encontram os aliciados.
Devido às fraudes, os bancos decidiram adotar critérios mais rígidos para a concessão dos financiamentos, além de que os créditos do PRONAF estariam suspensos, haja vista a inadimplência exorbitante, o que, segundo a PF, decorre do esquema criminoso.