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OpiniãoA morte do filósofo e antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, anunciada nesta terça-feira em Paris, tem impacto especial sobre os cientistas sociais brasileiros. O intelectual ajudou a fundar a antropologia no Brasil ao participar, ao longo da década de 1930, de uma missão francesa que ajudou a fundar a Universidade de São Paulo (USP).
O pensador foi pioneiro no estudo sobre as formas de organização e comportamento dos povos indígenas do continente americano. Com base em pesquisas e expedições feitas no Brasil com povos indígenas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, Lévi-Strauss escreveu em 1955 o livro Tristes Trópicos.
– Ele permitiu contato íntimo com a mentalidade indígena –, diz a professora do departamento de antropologia da Universidade de Brasília (UnB) Marcela Coelho de Souza que considera o trabalho de Lévi-Strauss imprescindível.
– Sua obra é incontornável se queremos entender como pensam os índios –, diz a professora citando também outros livros americanistas como as chamadas “obras mitológicas”: O cru e o cozido (1964); Do mel às cinzas (1966); A origem das maneiras à mesa (1968) e O Homem Nu (1971).
Para a professora, que é coordenadora do curso de graduação de antropologia na UnB, o pensamento de Lévi-Strauss não está superado.
– Ele é um clássico e assim cobre muitas leituras. Sua análise pode ser lida e utilizada ainda hoje diante de outros paradigmas –, defende.
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