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– Não escrevo para agradar e tampouco escrevo para desagradar –, explicou o autor, Prêmio Nobel de Literatura em 1998. – Escrevo para desassossegar –, garantiu.
No livro, caim e deus - com seus nomes sempre grafados com letra minúscula - fazem um trato e acordam que o castigo por matar abel será vagar pelo mundo com uma marca na testa e sem chegar a morrer.
Assim, em tom humorístico, o escritor português faz uma crítica à obediência cega.
– É verdade que há um movimento de 'embotamento', com perdão, na sociedade atual, em meu país e em qualquer outro –, disse Saramago nesta segunda-feira.
Caim segue na esteira de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de 1991, no qual o autor revisou o Novo Testamento, dando-lhe um novo narrador.
Sua nova obra vem provocando uma reação por parte da extrema direita política portuguesa que Saramago definiu como "muito violenta", embora tenha dito que quem criticou o livro ainda não teve tempo de fazer sua leitura.
– A queixa principal é que não deveria ter feito uma literatura literal em lugar de simbólica –, comentou. – O problema é que as visões simbólicas são muitas –, disse.
Na primeira semana de Caim nas livrarias portuguesas e brasileiras já foram vendidos cerca de 30 mil exemplares do livro, que agora está sendo oferecido juntamente com a Bíblia em muitas livrarias, segundo um editor de Saramago.
A tiragem inicial em espanhol é de 130 mil exemplares, segundo a editora Alfaguara.
O caim da história presencia os acontecimentos do Velho Testamento, como a ordem dada a Abraão para sacrificar seu filho ou a destruição de Sodoma e Gomorra.
– Todos temos a obrigação de observar nossa sociedade, uma sociedade em que a violência é socialmente aceita –, explicou o autor.
– Criamos um Deus à nossa imagem e semelhança (...) e por isso ele é tão cruel, porque nós somos cruéis.
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